sábado, 4 de maio de 2013

Interpretações da História


O preconceito em torno do estudo da História tem suas raízes nas diversas vertentes históricas produzidas nos séculos anteriores. O que poucos estudantes do ensino básico sabem, é que o estudo da História evoluiu e que hoje não é necessário todo aquele decoreba que eram submetidos para a avaliação dessa disciplina.
           Auguste Comte, no século XIX, considerado o pai da Sociologia, inaugurou uma corrente de pensamento chamada positivismo, inspirando uma vertente histórica fundamentada na produção de provas, documentos, exigência de datas e nomes. Os historiadores positivistas transmitiam uma História verdade, em que a reflexão, o problema e a pluralidade de interpretações estavam ausentes.
           No mesmo século, outra vertente historiográfica foi a marxista, influenciada pelo fundador do materialismo histórico Karl Marx. Através dela, passou-se a compreender os fatos através da luta de classes, de uma teleologia, ou seja, a história caminha para um fim, e também, a evolução dos modos de produção.
          No século XX, a partir da Escola dos Annales (1929), a História passou a adquirir novos campos, contando com as ciências auxiliares, Antropologia, Sociologia, Geografia, Arqueologia, dentre outras. Surge, a partir desse momento, a História Cultural, a História Social, a História das Mentalidades, a História Demográfica, a História Oral, a Micro-História entre outros campos de estudo que revolucionaram a maneira de se produzir e de se interpretar a História.
          A História dos vencidos, a História de pessoas que não foram consideradas heróis ou grandes personalidades, a História da sexualidade, da loucura, são exemplos de temas que passaram a ser estudados a luz de uma História-Problema.
         Atualmente, há vários professores que podem ainda abordar em suas aulas, conteúdos da História com um viés positivista ou marxista. Questões de vestibulares, do ENEM, podem ser elaboradas por professores que foram formados em um contexto marcado por essas vertentes históricas. Cabe ao aluno, estar preparado para interpretar e enxergar os conteúdos na ótica em que foram produzidos.
     A História tem sido fascinante nas últimas décadas, tendo em vista o crescimento de leitores e escritores de conteúdo historiográfico. Penso que as aulas, a partir do momento em que apresentarem as novas abordagens da historiografia, respeitando a linguagem adequada a cada faixa etária, poderão ser mais atrativas para os estudantes do ensino básico.
                                                                                                           Adelino Francklin

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