terça-feira, 5 de novembro de 2013

UFU - 2012



1. (Ufu 2012)  A santidade Jaguaripe (Bahia) foi uma espécie de antecessora, à moda indígena, do que seria Palmares no século XVII. Ela fez tremer o recôncavo, incendiando engenhos e aldeamentos jesuíticos, prometendo a seus adeptos a iminente alforria na “terra sem mal”, paraíso tupi, e a morte ou escravização futura dos portugueses pelos mesmos índios submetidos ao colonialismo. Na santidade baiana predominavam especialmente os tupinambás, mas havia ainda uns cristãos, outros pagãos e ainda rebeldes africanos, assim como em Palmares haveria índios.
VAINFAS, Ronaldo. Deus contra Palmares: representações senhoriais e ideias jesuíticas. In: REIS, João Jose & GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p.61-62 (adaptado).

Os movimentos conduzidos por indígenas e negros no Brasil colonial representaram
a) a resistência frente aos aldeamentos jesuíticos que buscavam impor aos colonizados a religião cristã em detrimento das crenças tradicionais, sendo Palmares, localizado na Serra da Barriga, o maior e mais duradouro símbolo dessa luta no século XVII.   
b) a busca por reconstruir sociedades existentes antes do contato com os europeus, sendo que tanto na santidade Jaguaripe como no Quilombo de Palmares foi a religiosidade tupinambá e banto, respectivamente, revivida sem a presença de elementos cristãos.   
c) a luta contra o colonialismo e a escravidão, sendo que Palmares entrou para a história não pelo nome português cristão, a exemplo da santidade dos tupis, senão como quilombo, vocábulo de origem banto (kilombo), alusivo a acampamento ou fortaleza.   
d) a batalha pela manutenção de elementos culturais de seus antepassados, sendo a santidade de Jaguaripe e o Quilombo de Palmares formas de negar o colonialismo europeu, caracterizadas pela recusa ao enfrentamento direto dos senhores e das tropas portuguesas, visando os acordos.   
  
2. (Ufu 2012)  A fatalidade das revoluções é que sem os exaltados não é possível fazê-las e com eles é impossível governar. Cada revolução subentende uma luta posterior e aliança de um dos aliados, quase sempre os exaltados, com os vencidos. A irritação dos exaltados [trouxe] a agitação federalista extrema, o perigo separatista, que durante a Regência [ameaçou] o país de norte a sul, a anarquização das províncias. [...] durante este prazo, que é o da madureza de uma geração, se o governo do país tivesse funcionado de modo satisfatório – bastava não produzir abalos insuportáveis –, a desnecessidade do elemento dinástico teria ficado amplamente demonstrada.
NABUCO, Joaquim. Um Estadista do Império: Nabuco de Araújo, sua vida, suas opiniões, sua época. 2ed. São Paulo: Editora Nacional, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936, p.21.

Na obra Um Estadista do Império, escrita entre os anos de 1893 e 1894, Joaquim Nabuco faz uma análise da história do Brasil Imperial. O trecho acima remete ao período regencial (1831-1840) do país. Com base no texto e em seus conhecimentos, faça o que se pede.
a) Explique como Joaquim Nabuco interpretou o período regencial no Brasil.
b) O período da Regência é citado por diversos autores, incluindo Nabuco, como o de uma experiência republicana federalista. Aponte duas razões pelas quais a Regência no Brasil ganhou essa interpretação.  
  
3. (Ufu 2012)  No começo da década de 1830 na Corte circulava um jornal intitulado O Homem de cor. A epígrafe do jornal era a citação de um artigo constitucional: “Todo cidadão pode ser admitido aos cargos públicos civis e militares, sem outra diferença que não seja a de seus talentos e virtudes”. O redator combatia uma afirmação do presidente da província de Pernambuco, Manoel Zeferino dos Santos, que continha críticas à qualificação dos oficiais da Guarda Nacional, e propunha a separação entre os batalhões “segundo os quilates da cor”.
LIMA, Ivana Stolze. Cores, marcas e falas: sentidos da mestiçagem no Império do Brasil. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003, p. 51 (adaptado).

Artigo 6º. São Cidadãos Brasileiros:
1) Os que no Brasil tiverem nascido, quer sejam ingênuos, ou libertos, ainda que o pai seja estrangeiro, uma vez que este não resida por serviço de sua Nação.

Constituição Imperial do Brasil de 1824

Vocabulário:
Ingênuos: filhos de ex-escravos
Libertos: ex-escravos

O processo de independência do Brasil e a abdicação de Dom Pedro I, em abril de 1831, alimentaram expectativas de aprofundamento das reformas liberais. A epígrafe do jornal O Homem de cor expressa
a) a crítica à própria Constituição do Brasil, que tratou de estabelecer diferenças entre os cidadãos brancos e negros na ocupação de cargos.   
b) a construção de uma identidade racial que previa a união de escravos, ex-escravos e seus descendentes na oposição ao sistema escravista.   
c) a crítica ao monopólio dos portugueses na ocupação de cargos públicos e militares, que se mantinha mesmo depois da independência.   
d) a luta pelo reconhecimento do direito de cidadania a todos os não escravos nascidos no Brasil, independente de critérios raciais.   
  
4. (Ufu 2012)  Após a morte de Tancredo Neves, a Rede Globo exibiu uma edição especial do “Jornal Nacional” sobre a doença e o falecimento do presidente eleito intitulada: “O martírio do Dr. Tancredo”. O suposto caráter heroico do presidente foi destacado: “Era um homem público predestinado, um homem que tinha uma missão e que iria cumpri-la a qualquer custo”, comentava Sérgio Chapelin. Tancredo aparecia como aquele que podia ler na história o que os outros não viam, uma espécie de intérprete profético do destino coletivo. O mito que ia sendo construído sobre o presidente também se nutria do caráter inusitado daqueles acontecimentos de março e abril de 1985. Além da internação na véspera da posse e de uma relativa melhora no Domingo de Páscoa, Tancredo morreu no dia de Tiradentes.
MARCELINO, Douglas Attila. “Especial Heróis na mídia - São Tancredo”. Revista de História da Biblioteca Nacional. Edição Número 54. Rio de Janeiro, Março de 2010, p. 58-61. (adaptado)

Um dia antes de sua posse, marcada para o dia 15 de março de 1985, Tancredo Neves foi internado. Após 7 cirurgias, ele faleceu no dia 21 de abril. A construção de uma memória para este evento histórico por parte da mídia indica que,
a) ao ser eleito pelo voto direto, Tancredo Neves consolidou a democracia no Brasil e, por isso, sua imagem foi associada pela Rede Globo à figura de Tiradentes, personagem que se transformou em um símbolo heroico das instituições republicanas no país.   
b) ao ser consagrado pela Rede Globo como uma espécie de “messias” republicano, Tancredo Neves foi representado muitas vezes como o maior responsável pela transição para a Democracia no Brasil, em uma perspectiva personalista da história.   
c) ao ser internado, Tancredo Neves causou grande comoção no país, impulsionada pela edição especial do “Jornal Nacional”, demonstrando o temor que a emissora tinha, naquele momento da posse do então vice-presidente, Ulisses Guimarães, figura política ligada aos militares.   
d) ao ser visto como um mártir, Tancredo Neves passava a representar toda a dor e sofrimento das famílias brasileiras que perderam seus membros para a ditadura militar nos porões da tortura, reforçando ainda mais a necessidade da criação de uma Lei de Anistia geral e irrestrita.   
  
5. (Ufu 2012)  Texto 1

O ex-ditador Jorge Rafael Videla, 86, foi condenado ontem a 50 anos de prisão por conta do sequestro de bebês durante a última ditadura militar argentina (1976-1983). Pela primeira vez, a Justiça declara que houve um plano sistemático de sequestro de recém-nascidos, filhos de prisioneiros políticos. A nova abordagem permite considerar os crimes como de lesa-humanidade, podendo levar a novas detenções de outros envolvidos.
Videla pega pena por sequestro de bebês. Matéria de Sylvia Colombo, Buenos Aires, In: Folha de São Paulo, sexta-feira, 06 de Julho de 2012. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/52969-videla-pega-pena-por-sequestro-de-bebes.shtml>. Acesso em: jul. 2012. (adaptado).

Texto 2

O Brasil foi denunciado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) por não apurar as circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do Exército, em São Paulo, em 1975. Segundo a denúncia, o "Estado brasileiro não cumpriu seu dever de investigar, processar" e punir os responsáveis pela morte de Herzog.
Brasil é denunciado na OEA por caso de Vladimir Herzog. Matéria de Lucas Ferraz, Brasília. In: Folha de São Paulo. 29/03/2012 – 15h40. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/poder/1069003-brasil-e-denunciado-na-oea-por-caso-vladimir-herzog.shtml>. Acesso em: jul. 2012.

Os textos acima apontam para diferentes atitudes dos atuais governos da Argentina e do Brasil, frente aos crimes cometidos pelos agentes do aparelho repressor dos regimes ditatoriais na América Latina, entre as décadas de 1960 e 1980. A publicação, no Brasil, da Lei da Anistia, em 28 de Agosto de 1979, fundamenta esta diferença.
a) A quem a Lei da Anistia beneficiou no momento de sua publicação?
b) Hoje, no Brasil, em meio à instalação da Comissão Nacional da Verdade, duas posições opostas sobre a Lei da Anistia se destacam. Quais são estas posições?
  
6. (Ufu 2012)  No final do governo de Prudente de Moraes (1894-8), ficou evidente que a liberdade do Executivo, do Legislativo e dos poderes estaduais não tendia ao equilíbrio institucional, gerando conflitos de soberania e, por extensão, incerteza. Com relação a esse dilema, já antes da eleição, e através de seu Manifesto eleitoral, redigido em 1897, Campos Sales defendia a seguinte teoria: os estados são autônomos, o Parlamento é digno e fundamental, mas quem manda é o presidente. Para tal, uma vez eleito, é necessário entender-se com os chefes estaduais e controlar o congresso.
LESSA, Renato. O pacto dos estados. Revista de História da Biblioteca Nacional. Edição Número 05. Rio de Janeiro, Novembro de 2005, p.39. (adaptado)

Para o autor do texto, o pacto político proposto por Campos Sales consolidou as normas de funcionamento da República Velha, vigentes no Brasil até 1930. Por sua particular maneira de organizar a política, esta nova ordem republicana resultava
a) na abolição do pacto federativo, proposta já na Constituição de 1891.   
b) no revezamento das diferentes regiões do país na presidência.   
c) no enfraquecimento das instituições representativas clássicas.   
d) na consolidação dos grupos oposicionistas nas instâncias governamentais.   
  
7. (Ufu 2012)  As mães, as filhas, as irmãs, representantes da Nação pedem ser constituídas em Assembleia Nacional. Considerando que a ignorância, o esquecimento ou o menosprezo dos direitos da mulher são as únicas causas das desgraças públicas e da corrupção do governo, resolvemos expor, numa declaração solene, os direitos naturais, inalteráveis e sagrados da mulher. Em consequência, o sexo superior em beleza, como em coragem nos sofrimentos maternais, reconhece e declara, em presença e sob os auspícios do Ser Supremo, os seguintes direitos da mulher e da cidadã.

Art. 1 - A mulher nasce livre e permanece igual ao homem em direitos. As distinções sociais não podem ser fundadas, senão, sobre a utilidade comum.

Art. 2 - A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis da mulher e do homem. Estes direitos são: a liberdade, a prosperidade, a segurança e, sobretudo, a resistência à opressão.

Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. 1791. (adaptado)

O documento acima foi proposto à Assembleia Nacional da França, durante a Revolução Francesa, por Marie Gouze. A autora propunha uma Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã para igualar-se à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada anteriormente. A proposta de Marie Gouze expressa
a) o reconhecimento da fragilidade feminina, devendo a Constituição francesa garantir ações legais e afirmativas com o objetivo de reparar séculos de exploração contra a mulher.   
b) a participação das mulheres no processo revolucionário e a reivindicação de ampliação dos direitos de cidadania, com o intuito de abolir as diferenças de gênero na França.   
c) a disputa política entre os Jacobinos e Girondinos, uma vez que estes últimos defendiam uma radicalização cada vez maior das conquistas sociais no processo revolucionário.   
d) o descontentamento feminino ante as desigualdades que as leis francesas até então garantiam entre os integrantes do terceiro Estado e a aristocracia.   
  
8. (Ufu 2012)  Entre os eventos que merecem destaque na consolidação do absolutismo inglês estão o embate entre os York e os Lancaster, na Guerra das Duas Rosas, o controle dos nobres por Henrique VII e, finalmente, as ações de Henrique VIII, que rompeu com o papa e fundou a Igreja Anglicana, mantida sob sua tutela. Com a morte de Henrique VIII e a ascensão de Elizabeth I, o absolutismo inglês conheceu seu período de maturidade. As ações de Elizabeth I e de seus sucessores, adotando medidas mercantilistas, criando companhias de comércio, dissolvendo o Parlamento, exigindo pensão vitalícia e criando taxas, marcaram acontecimentos que culminaram, décadas mais tarde, numa página da história da sociedade inglesa conhecida como Revolução Gloriosa. Neste cenário,
a) a economia inglesa, diante da instabilidade política, teve um desenvolvimento irregular no século XIX, atrasando sua industrialização frente a outros países.   
b) a monarquia absolutista inglesa, reconhecendo suas limitações, tomou a iniciativa na criação do Bill of Rights, evitando novas guerras civis no país.   
c) as medidas absolutistas insuflaram questionamentos na sociedade inglesa, favorecendo mudanças e rupturas na estrutura política do país.   
d) as características absolutistas da monarquia inglesa a afastavam do modelo constitucional que, desde o final da Idade Média, predominava na Europa.   
  
9. (Ufu 2012)  Texto 1

Depois que o Estado ficou em estado de orfandade política devido à ausência e prisão de Fernando VII, os povos reassumiram o poder soberano. Ainda que seja verdade que a nação havia transmitido esse poder aos reis, sempre foi com um caráter reversível, não somente no caso de uma deficiência total, mas também no de uma deficiência momentânea e parcial.
Fragmento do Regulamento da Divisão de Poderes, Buenos Aires, 1811. Apud PAMPLONA, Marco A. e MÄDER, Maria Elisa (orgs.). Revoluções de independências e nacionalismos nas Américas. Região do Prata e do Chile. São Paulo: Paz e Terra, 2007, p. 251.

Texto 2

Para sustentar a escravidão dos povos, não têm outro recurso que transformar em mérito o orgulho de seus sequazes e cobri-los de distinções que criam uma distância imensa entre o infeliz escravo e seu pretendido senhor. Essa é a origem dos títulos de condes, marqueses, barões, etc., que a corte da Espanha prodigalizava para duplicar o peso de seu cetro de ferro que gravitava sobre a inocente América. Longe de nós tão execráveis e odiosas preeminências; um povo livre não pode ver brilhar o vício diante da virtude. Estas considerações estimularam a Assembleia a expedir a seguinte LEI:
A Assembleia Geral ordena a extinção de todos os títulos de condes, marqueses e barões no território das Províncias Unidas do Rio da Prata.
O redator da Assembleia, n. 9. 29 de maio de 1813. In. PAMPLONA, Marco Antônio e MÄDER, Maria Elisa (orgs.). Revoluções de independências e nacionalismos nas Américas; regiões do Rio da Prata e Chile. São Paulo: Paz e Terra, 2007, p.110. (Adaptado)

Os textos apontam para ânimos distintos relativos ao processo de independência na América espanhola.

a) Explique o contexto histórico europeu relacionado ao início do processo revolucionário na América espanhola.
b) Identifique as mudanças no processo de independência do Rio da Prata a partir dos documentos acima apresentados.
  
10. (Ufu 2012)  As pretensões expansionistas japonesas na Ásia, a construção da Grande Ásia Oriental, colidiam com os interesses norte-americanos para a região. Os imperialistas seguiam as estratégias siberiana e colonial. A primeira encarregou o Exército de expandir o domínio Japonês para a China do Norte, Mongólia e Sibéria, rivalizando com a União Soviética. A estratégia colonial, delegada à Marinha, visava a conquista de colônias inglesas, francesas e holandesas na Ásia. O obstáculo para esse projeto era a força dos Estados Unidos no Pacífico (Alaska, Ilhas Aleutas, Filipinas e Havaí).
O projeto imperialista japonês
a) buscava contemporizar seus interesses com as forças chinesas, vistas como um importante apoio na luta contra o imperialismo norte-americano.   
b) ganhou força com o bombardeamento de Pearl Harbor e a entrada dos EUA na guerra, forçando o recuo dos movimentos anti-imperialistas nipônicos.   
c) manteve, com o fim da Segunda Guerra, suas anexações territoriais, o que lhe permitiu continuar como uma grande potência.   
d) previa a mobilização de recursos das áreas ocupadas para realimentar o complexo industrial-militar que se fortalecia internamente.   
  
11. (Ufu 2012)  Acreditamos que a escravidão é um pecado – onde quer que seja, sempre um pecado – pecado em si, pecado na natureza que a cria. Pecado porque ela converte pessoas em coisas, faz dos homens propriedade, mercantilizando a imagem de Deus. Em outras palavras, porque a escravidão detém e usa os homens como meros meios para concretizar seus fins, aniquilando a distinção sagrada e eterna entre a pessoa e a coisa – uma distinção proclamada como axioma de toda consciência humana – uma distinção criada por Deus...
Declaration of Sentiment, in The Liberator, vol 5, n. 20, Boston, USA, maio 16, 1835. (adaptado)

O texto acima, veiculado no jornal The Liberator, traz um argumento antiescravista da primeira metade do século XIX que representa
a) a presença da religião na política estadunidense, que se pretende virtuosa.   
b) o crescimento do movimento antiescravista que se propagava no sul do país.   
c) a defesa do abolicionismo no período posterior à Guerra de Secessão.   
d) o consenso nacional a respeito do atraso econômico imposto pela escravidão.   
  
12. (Ufu 2012)  Texto 1

O governo Francês mandou cerca de mil ciganos de volta à Romênia e à Bulgária nas últimas semanas, como parte de medidas de combate ao crime e sob uma proposta de imigração. Sarkozy ligou os ciganos ao crime, chamando os campos em que alguns deles vivem de fontes de tráfico, exploração de crianças e prostituição. Em 2009, 10 mil romenos e búlgaros foram levados a seus países, segundo as autoridades francesas, no que Paris considera um programa de repatriação voluntária.
Reportagem da Folha de São Paulo, 15 de outubro de 2010. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mundo/815027-apos-expulsoes-de-ciganos-franca-sinaliza-que-pode-adotar-leis-da-uniao-europeia.shtml>. Acesso em: jul. 2012.

Texto 2

A chanceler Angela Merkel decretou a morte do multiculturalismo na Alemanha em um discurso no dia 17 de outubro. Merkel afirmou que foi uma ilusão pensar que imigrantes poderiam manter sua própria cultura e viver lado a lado com os alemães e que esse projeto "falhou completamente". Embora a chanceler tenha enfatizado que imigrantes são bem-vindos no país e que o Islã já é parte da cultura moderna da Alemanha, o discurso sobre o fim do multiculturalismo mostra Merkel tentando se posicionar um pouco mais perto de uma tendência que se espalha pela Europa: o aumento do poder dos partidos de extrema direita.
FAGUNDES, Renan Dissenha. “A escalada da extrema direita na Europa” in Revista Época. 25 de outubro de 2010. Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI181892-15227,00-+ESCALADA+DA+EXTREMA+DIREITA+NA+EUROPA.html>. Acesso em: jul. 2012.

Nas últimas décadas, os movimentos e partidos de ultradireita ganharam força na Europa Ocidental por meio de discursos contra a presença de imigrantes. Associe as implicações da economia globalizada com a intolerância retratada acima.
 
Gabarito:  

Resposta da questão 1:
 [C]

Diante das imposições garantidas pela superioridade militar do português, índios e negros resistiram ao colonialismo e à escravidão rejeitando a assimilação completa da cultura europeia. Muitas vezes, quando obrigados a abandonar suas crenças e costumes para adaptarem-se às exigências do conquistador, encontravam formas de preservá-los de maneira velada, como o sincretismo (fusão de elementos de diferentes credos), mesclando divindades indígenas e africanas a símbolos católicos, como se vê no candomblé; a capoeira, que para os senhores portugueses era apresentada como uma dança, mas na verdade era uma arte marcial disfarçada; ou os quilombos, que procuravam reproduzir a cultura e a forma de viver deixadas na África.  

Resposta da questão 2:
 a) O estudante deverá identificar no texto de Joaquim Nabuco uma crítica ao período regencial no Brasil, caracterizado como uma época de “agitação federalista extrema”, de “anarquização das províncias”, trazendo uma ameaça de fragmentação política do Brasil. Fato esse que, segundo os grupos mais conservadores, associavam ao Ato Adicional de 1834 que concedia autonomia para as províncias.
b) O estudante deverá argumentar que o período regencial foi chamado de “uma experiência republicana federalista”, a partir da ocorrência da ausência de um rei soberano no comando da Nação, ficando o governo sob responsabilidade dos regentes, que teria enfraquecido o poder centralizado no país. A criação das Guardas Nacionais, que atuavam principalmente nos municípios, paróquias e curatos, servindo de instrumento político armado para as elites locais, também deve ser mencionada, assim como a criação do Ato Adicional de 1834, visto comumente como o grande marco das medidas descentralizadoras do período regencial. Além disso, o Ato, ao transformar a Regência Trina em Regência Una, instituiu a eleição do regente pelo corpo dos eleitores e não mais pela Assembleia Geral. Deve, também, mencionar a criação dos Códigos Criminal (1830) e de Processo Criminal (1832), que determinavam a escolha de júris populares escolhidos localmente, bem como deixavam aos poderes locais a escolha dos membros do judiciário.  

Resposta da questão 3:
 [D]

A abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril de 1831 entregou definitivamente a brasileiros o controle do Estado e deu margem a disputas de vários grupos políticos pelo poder. Entre esses grupos destacaram-se os restauradores, que pretendiam a volta do governo autoritário e centralizador sob o comando do imperador renunciante; os liberais moderados, que defendiam a maior autonomia das províncias sem, entretanto, alterar a estrutura política censitária ou modelo econômico escravocrata agrário-exportador; e os liberais exaltados, que viram no período regencial a oportunidade de conseguir reformas radicais, como a adoção de um regime democrático, a proclamação da república e a abolição da escravatura.  

Resposta da questão 4:
 [B]

O aluno terá que relacionar o mito construído em torno da figura de Tancredo Neves e o mito em torno de Tiradentes.
A Proclamação da República no Brasil foi um processo sem um líder representativo e reconhecido nacionalmente; portanto, a figura de Tiradentes, que era conhecida e possuía apelo popular, foi utilizada para marcar esse processo. A morte do presidente Tancredo Neves foi associada à figura do inconfidente mineiro para representar o novo modelo político que se instalava no Brasil, a democracia. Mesmo não sendo eleito pelo voto direto, era o fim dos governos militares e o início da Nova República. Mais que mera coincidência histórica, a morte no dia 21 de abril conclamava o povo brasileiro a apoiar o processo de democratização que se iniciava.  

Resposta da questão 5:
 a) O estudante deverá responder que a Lei da Anistia beneficiou todos os cidadãos punidos por atos de exceção desde a edição do AI-1, bem como os militares responsáveis pelas práticas de tortura e especificar os segmentos sociais beneficiados, como estudantes, professores, artistas, etc., além dos militares.
b) O estudante deverá identificar as posições daqueles que defendem que a Lei da Anistia não deve ser revogada, pois foi importante para a libertação dos presos políticos e que defendem, também, a ideia de que a Comissão Nacional da Verdade não crie um clima de revanchismo ou represálias contra os militares e que, apenas, esclareça a verdade dos fatos. Deverá identificar, também, a posição contrária, defendida pela Anistia Internacional, que argumenta que manutenção da Lei da Anistia brasileira garante a impunidade para os crimes contra os direitos humanos, cometidos pela cúpula militar que se encontrava no poder, defendendo sua revisão ampla.  

Resposta da questão 6:
 [C]

O governo de Prudente de Morais (1894-1898) representou a ascensão das oligarquias cafeeiras ao controle do Governo Federal. Mas foi com Campos Sales (1898-1902) que os cafeicultores do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais consolidaram-se no poder, criando dispositivos políticos, como a política dos governadores, o coronelismo, o voto de cabresto e a degola, que permitiram colocar como secundárias na política nacional as tradicionais oligarquias nordestinas.  

Resposta da questão 7:
 [B]

Embora a Revolução Francesa tenha sido ideologicamente conduzida sob o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, e seja inegável o progresso na garantia de direitos e liberdades individuais, a modernização manteve distinção entre homem e cidadão, assim como não eliminou a desigualdade de gênero.  

Resposta da questão 8:
 [B]

Depois da Revolução Puritana (1641-1649), as camadas populares não tiveram suas reivindicações atendidas pela República de Cromwell, que buscou atender principalmente reivindicações da burguesia puritana. Com a ascensão de Carlos II ao trono, em 1685, teve início uma tentativa de reimplantar no Reino Unido o absolutismo de fato e de direito. Divididos entre absolutistas e constitucionalistas, os parlamentares ingleses temiam uma nova guerra civil, pois sabiam que nenhum dos dois grupos conseguiria ter a confiança das camadas populares. A saída encontrada foi a destituição de Carlos II e a entronação de seu genro, Guilherme de Orange, mediante a aceitação da Bill of Rights (Declaração de Direitos), que limitava o poder real e instaurava na Inglaterra a Monarquia Constitucional.  

Resposta da questão 9:
 a) O estudante deverá relacionar os processos revolucionários na América espanhola ao bloqueio continental determinado pela França sobre a Inglaterra e às invasões napoleônicas de 1808, que, na Espanha, levaram à renúncia forçada de Fernando VII, e a um vazio de poder posteriormente preenchido pelas juntas de Governo.
b) O estudante deverá avaliar a independência como um processo construído ao longo dos anos de 1810 a 1816, quando a independência política das Províncias Unidas do Rio da Prata foi formalmente declarada em 9 de julho de 1816. Assim, o estudante deverá identificar as diferenças entre dois textos citados: o primeiro, moderado, e, o segundo, radical. O primeiro aponta para a possibilidade da Província do Rio Prata permanecer como parte integrante do Império Espanhol. No segundo texto, o estudante deverá identificar um ataque ao absolutismo com a dissolução dos títulos de nobreza e o fato da Espanha ser considerada como inimiga.   

Resposta da questão 10:
 [D]

No início da década de 1940, depois de conquistar importantes pontos estratégicos no Extremo Oriente, o imperialismo japonês entrou em choque com interesses estadunidenses no Pacífico, na região do Havaí.  

Resposta da questão 11:
 [A]

A base ideológica da construção do Estado Nacional estadunidense é a associação dos princípios iluministas com a doutrina calvinista. Tanto a filosofia quanto a religião defendem uma moral completamente compatível com os interesses burgueses. O texto dessa questão, por exemplo, justifica com argumentos religiosos a necessidade econômica de abolir a escravidão, o que ampliaria o mercado consumidor interno e reduziria o custo da mão de obra.  

Resposta da questão 12:
 O estudante deverá descrever o processo de globalização destacando a internacionalização da economia e mobilização de milhões de pessoas que saíram de seus países em direção aos países desenvolvidos, em busca de melhores condições de vida. Deverá associar a globalização à crise econômica, tendo como consequência o desemprego e o aumento do custo de vida.
Com a crise econômica atual e o aumento do desemprego, os grupos de imigrantes passaram a ser apontados como uma das causas da crise econômica, desemprego e empobrecimento nos países desenvolvidos, aumentando as demonstrações de intolerância para com os imigrantes.
Deverá mencionar que vários Estados europeus estão institucionalizando políticas anti-imigração, agravando a intolerância aos imigrantes.  

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